Foi pelas bandas do rio Arraia. Ali, num grotão à beira da água morava meu tio Catuné. Homem rude, plantava milho e mandioca. Vivia com a mulher, d. Sinhá. Enquanto ele labutava na roça, Sinhá cuidava da casa, lavava as vasilhas com folha de sambaíba, preparava o franco caipira e colhia buriti no brejo. Pra relaxar, meu tio costumava pescar aos domingos no Poço da Curva. E ia sempre sozinho. Ou melhor, sempre em companhia de seu porquinho Caruncho. E levava, também, um tamborete – detestava sentar no chão – e um cacho de banana farta-guloso.
O lugar era de difícil acesso, mas ele sempre retornava no fim do dia trazendo traíras, matrinchãs e piaus. Nesse dia, contudo, ele não voltou. D. Sinhá ficou preocupada, mas não foi procurá-lo à noite não, esperou o dia amanhecer. Vai que ele ficou a noite esperando as traíras. Mas o dia amanheceu, veio o almoço e o seu Catuné não retornou. D. sinhá resolveu então ir procurá-lo. Chamou um vizinho e rumaram para o Poço da Curva, que não era muito fundo, mas tinha águas negras e lodosas. Ao chegar lá, d. Sinhá percebeu que o poço tava mais encorpado, mais cheio. E dentro dele havia uma sucuri de barriga enorme. Com muito sacrifício e a ajuda do vizinho, mataram a cobra, abriram a barriga da bicha e, para surpresa de ambos, lá dentro estava o velho Catuné sentado no tamborete, comendo banana farta-guloso e jogando as cascas para o porquinho Caruncho.





